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Mudar o logo da empresa vale a pena? O que a mudança do Instagram nos ensina.

Mudar o logo da empresa vale a pena? O que a mudança do Instagram nos ensina.

  • Arte
  •  16 agosto2026

Mudar o logo da empresa vale a pena? O que a mudança do Instagram nos ensina.

Uma marca cresce, o negócio muda, novos concorrentes aparecem e o comportamento do consumidor evolui. Em algum momento, é natural surgir a pergunta “será que está na hora de mudar o logo da empresa?”

O assunto voltou a ganhar atenção com a atualização apresentada pelo Instagram em agosto de 2026. Depois de aproximadamente dez anos, a plataforma substituiu seu conhecido wordmark cursivo por uma nova assinatura, que combina características da escrita manual com uma construção tipográfica mais contemporânea.

A mudança dividiu opiniões e trouxe de volta uma discussão que vai muito além de gostar ou não de determinado desenho. Se as pessoas já reconhecem uma marca, por que mexer nela?

A resposta depende do momento da empresa, dos objetivos do negócio e, principalmente, do problema que essa mudança pretende resolver.

Por que marcas conhecidas mudam seus logos?

Um logo nasce para representar uma empresa em determinado contexto. Só que esse contexto não permanece igual.

Uma empresa que começou pequena pode entrar em novos mercados. Um negócio tradicional pode querer conversar com uma nova geração. Uma marca que antes concentrava sua atuação no ambiente físico pode passar a ter no digital um de seus principais pontos de contato com o público.

Nesses casos, a identidade visual pode precisar acompanhar essa transformação.

Isso não significa jogar fora tudo o que existe. Muitas vezes, o trabalho está em simplificar formas, aprimorar a tipografia, ajustar cores, melhorar aplicações e desenvolver um sistema visual mais adequado à realidade atual da empresa.

O objetivo não é fazer a marca parecer nova a qualquer custo. É garantir que sua identidade continue representando o negócio.

O que podemos observar na mudança do Instagram?

A atualização do Instagram chama atenção porque estamos falando de uma marca presente diariamente na tela de bilhões de pessoas.

A empresa alterou seu wordmark e deixou para trás a assinatura cursiva utilizada na última década. O novo desenho mantém características manuscritas, mas apresenta uma construção diferente, o que imediatamente provocou comentários sobre estética e legibilidade.

Esse tipo de reação é esperado. Quanto mais familiar um elemento se torna, mais perceptível é qualquer alteração.

Por isso, a reação das primeiras horas não é suficiente para avaliar se uma mudança de identidade funcionou. É preciso observar se ela cumpre sua função, mantém reconhecimento e ajuda a sustentar a imagem que a empresa deseja construir ao longo do tempo.

Para empresas menores, a escala é diferente, mas a reflexão também faz sentido.

Como saber se chegou a hora de mudar o logo?

Antes de contratar alguém para redesenhar sua identidade, vale entender qual problema precisa ser resolvido.

Se a única justificativa for “estamos cansados do logo atual”, talvez ainda não exista uma razão consistente para a mudança.

Existem, no entanto, situações em que uma atualização pode fazer sentido. A identidade pode ter sido criada quando o negócio ainda era muito diferente. O público pode ter mudado. A empresa pode ter ampliado seus serviços, entrado em novos mercados ou passado a disputar uma faixa de preço diferente.

Também existem questões práticas. Logos muito complexos podem funcionar mal em telas pequenas, avatares, aplicativos, bordados, embalagens e outros formatos. Uma tipografia pode apresentar problemas de leitura. Uma identidade muito limitada pode dificultar a criação de diferentes materiais de comunicação.

Quando isso acontece, redesenhar deixa de ser uma questão de gosto e passa a responder a uma necessidade real da marca.

Antes de mudar, entenda o que merece continuar

Esse cuidado faz diferença em qualquer projeto de redesign.

Internamente, uma empresa pode enxergar determinado elemento apenas como uma cor antiga, uma fonte ultrapassada ou um símbolo que já perdeu a graça. Para o cliente, aquele mesmo elemento pode ser justamente o que permite reconhecer a marca rapidamente.

Cores, formas, símbolos, tipografias e outros elementos visuais acumulam reconhecimento ao longo do tempo.

Por isso, um redesign não deveria começar apenas pela busca do novo. Também é necessário entender o que a empresa já construiu.

Descartar elementos reconhecidos sem uma análise cuidadosa pode significar abrir mão de um patrimônio visual que levou anos para ser formado.

O que o caso da Gap ensina sobre mudança de logo?

Em 2010, a Gap apresentou um novo logo e substituiu sua tradicional identidade, conhecida pelo uso do quadrado azul, por uma solução bastante diferente.

A reação negativa veio rapidamente. Consumidores criticaram a mudança nas redes sociais, surgiram paródias do novo desenho e a discussão ganhou grande repercussão.

Poucos dias depois, a empresa decidiu voltar ao logo anterior.

O episódio mostra como o reconhecimento visual também possui valor. O problema não está em uma marca conhecida decidir mudar. Está em não compreender suficientemente quais elementos já possuem significado para o público antes de substituí-los.

Quanto maior o reconhecimento construído, maior precisa ser o cuidado durante esse processo.

O que a Pepsi fez diferente?

Em 2023, a Pepsi apresentou sua primeira grande atualização de identidade visual em 14 anos.

Em vez de abandonar sua história para construir uma aparência completamente nova, a empresa recuperou referências de diferentes momentos de seus 125 anos.

O nome Pepsi voltou ao centro do conhecido globo da marca. A identidade também recebeu uma nova tipografia, alterações na paleta de cores e um sistema preparado para funcionar nos diferentes ambientes em que a marca aparece.

O projeto mostra uma possibilidade interessante. Uma empresa pode atualizar sua identidade sem apagar tudo aquilo que veio antes.

Em alguns casos, elementos históricos continuam tendo força e podem ser reinterpretados para conversar com o presente.

E quando o novo logo começa a parecer com todos os outros?

Esse é outro risco que merece atenção.

Na tentativa de modernizar suas identidades, empresas de um mesmo segmento podem acabar seguindo referências muito semelhantes.

Tipografias parecidas, símbolos simplificados, paletas próximas e os mesmos estilos de fotografia começam a aparecer por toda parte.

Cada escolha pode funcionar isoladamente. O problema aparece quando colocamos várias marcas lado a lado e percebemos que quase todas estão falando a mesma língua visual.

Se uma identidade também existe para facilitar reconhecimento e diferenciação, parecer com os concorrentes pode enfraquecer justamente aquilo que deveria fortalecer.

Tendências fazem parte do repertório do design, mas não deveriam determinar sozinhas o caminho de uma marca.

Um novo logo aumenta o valor percebido da empresa?

O logo sozinho não consegue fazer isso.

Uma nova identidade não resolve atendimento ruim, produto inconsistente, posicionamento confuso ou uma experiência frustrante.

Ao mesmo tempo, o visual participa da maneira como interpretamos uma empresa.

Antes de comprar, contratar ou até conversar com alguém, já recebemos diversos sinais por meio da fachada, do site, da embalagem, das redes sociais, da apresentação comercial, das fotografias, das cores e da linguagem utilizada.

Esses sinais ajudam a criar expectativas.

Uma clínica pode querer transmitir precisão e confiança. Uma cafeteria pode buscar proximidade e experiência. Uma empresa de tecnologia pode querer comunicar simplicidade e inovação. Uma consultoria pode precisar reforçar especialização e autoridade.

A identidade visual ajuda a tornar essas características perceptíveis. E o logo é uma das partes dessa construção.

Logo e branding são coisas diferentes

Essa diferença ajuda a entender por que nem todo problema de marca será resolvido com um redesign.

O logo funciona como um identificador visual. Branding envolve a construção e a gestão da marca ao longo do tempo.

Entram nessa construção o posicionamento, a proposta de valor, a identidade, a comunicação, a linguagem, a experiência e a maneira como a empresa se apresenta em seus diferentes pontos de contato.

Por isso, trocar o logo sem entender o que está acontecendo com a marca pode gerar uma mudança visual sem resolver o problema principal.

Talvez a dificuldade esteja na comunicação. Talvez o posicionamento não esteja claro. Pode existir falta de consistência entre os canais. Em outros casos, o público simplesmente não entende por que deveria escolher aquela empresa e não outra.

Antes de mudar o desenho, é importante descobrir onde realmente está o problema.

Cinco perguntas para responder antes de mudar seu logo

Antes de iniciar um projeto de redesign, vale refletir sobre algumas questões.

1. O que não funciona na identidade atual?

2. A empresa mudou ou apenas queremos uma aparência diferente?

3. Quais elementos nossos clientes já reconhecem?

4. Como queremos que a empresa seja percebida nos próximos anos?

5. Essa mudança resolve um problema ou apenas acompanha uma tendência?

Se ainda não existem respostas claras para essas perguntas, talvez seja cedo para começar pelo logo.

Mudar menos também pode ser uma boa decisão

Instagram, Gap e Pepsi seguiram caminhos diferentes ao atualizar suas identidades. Os três casos ajudam a mostrar que não existe uma fórmula única para um redesign.

Uma identidade não volta ao ponto zero sempre que uma empresa evolui. Marcas acumulam memória, associações e reconhecimento. Parte desse patrimônio pode continuar fazendo sentido mesmo depois de muitos anos.

Por isso, antes de perguntar “precisamos de um logo novo?”, existe uma questão mais importante.

Nossa identidade ainda representa o negócio que somos e o lugar que queremos ocupar?

Quando existe uma distância entre essas duas coisas, pode ser hora de rever a identidade.

Quando essa distância não existe, mudar apenas pela vontade de apresentar uma novidade pode criar um problema que antes nem existia.

Uma marca não precisa parecer nova o tempo todo. Precisa continuar fazendo sentido para o negócio e para as pessoas que deseja alcançar.

Se a sua marca mudou, talvez seja hora de sua identidade acompanhar esse novo momento. A Latinacion pode ajudar você a conduzir esse rebranding com estratégia. Entre em contato.

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