Um erro comum é achar que presença digital é estar somente no Instagram. A rede é importante e, para muitas empresas, funciona como um dos principais pontos de contato com o público. Ainda assim, uma marca não deveria pensar sua presença digital a partir de uma única plataforma.
Pense no caminho que você mesmo faz quando conhece uma empresa.
Talvez alguém indique o nome. Depois, você procura no Google. Entra no Instagram. Visita o site. Lê uma avaliação. Encontra um artigo. Assiste a um vídeo. Alguns dias depois, recebe um e-mail.
A percepção sobre aquela empresa vai sendo construída nesse percurso.
Por isso, talvez a pergunta mais interessante não seja apenas o que postar no Instagram. Antes disso, vale pensar em como construir uma estratégia de conteúdo capaz de acompanhar a marca em diferentes lugares.
Quando uma empresa começa sua estratégia perguntando o que deveria postar no Instagram, ela já começou pelo meio.
Antes de escolher o formato, é preciso entender a mensagem.
O que queremos que as pessoas compreendam sobre a empresa? Quais assuntos queremos associar à marca? Que conhecimento temos para compartilhar? Quais dúvidas do público conseguimos responder? E, principalmente, pelo que queremos ser lembrados?
Essas respostas formam uma estratégia de conteúdo mais ampla.
Depois disso, os canais ganham função.
O Instagram pode aproximar. Um blog pode aprofundar um assunto. O Google pode ajudar alguém a encontrar uma resposta. O LinkedIn pode ampliar uma conversa profissional. O YouTube pode permitir explicações mais longas. Já o e-mail pode manter uma relação com quem decidiu continuar por perto.
Assim, cada canal faz uma parte do trabalho.
Existe uma diferença importante entre produzir conteúdo para canais e construir uma estratégia de conteúdo.
No primeiro caso, a empresa olha para o Instagram e pensa no próximo post. Depois, olha para o LinkedIn e tenta descobrir o que publicar por lá. Na semana seguinte, precisa começar tudo novamente.
No segundo, existe uma ideia central.
Imagine, por exemplo, uma empresa de engenharia que queira ser reconhecida pela capacidade de tornar projetos complexos mais previsíveis. Esse território pode gerar um artigo aprofundado para o blog. A partir dele, um ponto específico pode virar um carrossel. Um exemplo prático pode render um vídeo. Uma reflexão pode ir para o LinkedIn. Além disso, uma dúvida recorrente pode se transformar em um e-mail.
O assunto continua sendo o mesmo. Porém, a abordagem muda de acordo com o contexto.
É isso que podemos chamar de uma estratégia de conteúdo macro. Em vez de alimentar canais isoladamente, a empresa constrói territórios de conteúdo que podem se desdobrar em diferentes pontos de contato.
Essa visão também muda nossa relação com a produção.
Às vezes, uma empresa publica uma boa reflexão no Instagram e, dois dias depois, abandona aquela ideia para procurar outra. No entanto, talvez o assunto tivesse muito mais a oferecer.
Um bom conteúdo pode ganhar profundidade no blog. Depois, pode aparecer sob outro ângulo em um vídeo. Também pode alimentar uma newsletter, uma apresentação comercial ou uma conversa no LinkedIn.
Joe Pulizzi, autor de Content Inc. e Epic Content Marketing, trabalha há anos com uma lógica semelhante. Em Content Inc., ele propõe escolher um canal principal, construir audiência e, posteriormente, expandir para outros canais. Redes sociais e mecanismos de busca entram como meios de ampliar o alcance e transformar visitantes ocasionais em uma audiência recorrente.
Mais recentemente, Pulizzi reforçou outra questão relevante. Para ele, as empresas precisam construir pelo menos um canal central que não dependa completamente de algoritmos, como newsletter, comunidade, publicação própria ou outra forma de relacionamento direto com a audiência.
A questão, portanto, não é abandonar as redes sociais. É evitar que toda a presença da empresa dependa delas.
Sonia Simone, uma das principais vozes ligadas ao Copyblogger, usa há anos uma metáfora interessante para explicar esse risco. Construir todo um negócio dentro de plataformas de terceiros seria semelhante a construir em um terreno alugado.
A lógica continua atual. No Instagram, por exemplo, a empresa não controla completamente a distribuição, o algoritmo nem as mudanças da própria plataforma. Já em um site próprio, existe muito mais controle sobre conteúdo, experiência e organização da informação.
Isso não diminui a importância do Instagram. Pelo contrário, ajuda a definir melhor o papel dele.
A rede pode ser excelente para descoberta, relacionamento, construção de comunidade e recorrência. Entretanto, alguns conteúdos podem encontrar uma segunda vida em ambientes mais adequados para aprofundamento, busca ou relacionamento direto.
Nesse ponto, existe outro erro fácil de cometer.
Se depender apenas do Instagram pode limitar a presença digital, isso não significa que uma empresa precise abrir TikTok, YouTube, LinkedIn, newsletter, podcast e blog na próxima segunda-feira.
Robert Rose, estrategista e autor de Content Marketing Strategy, trata justamente da necessidade de pensar conteúdo e distribuição de maneira integrada. Em vez de simplesmente espalhar materiais, a estratégia precisa considerar canais próprios, conquistados, compartilhados e pagos de acordo com a função que cada um desempenha.
Além disso, Rose defende que as redes sociais continuem fazendo parte do mix de comunicação, enquanto os canais próprios oferecem espaço para aprofundar a relação com a audiência.
Portanto, uma boa presença digital depende de escolhas estratégicas sobre onde a marca deve estar e qual papel cada canal desempenha na comunicação.
Quando existe uma estratégia de conteúdo macro, fica mais fácil enxergar o todo.
Primeiro vêm os temas que a marca precisa construir. Depois aparecem as ideias. Em seguida, cada ideia encontra os formatos e canais em que funciona melhor.
Com isso, o blog deixa de ser uma tarefa separada do Instagram. O LinkedIn deixa de competir com o site. O e-mail não precisa inventar um assunto completamente novo. Além disso, uma boa pauta pode continuar trabalhando pela marca por muito mais tempo.
Robert Rose faz uma distinção especialmente útil nesse ponto. Um calendário organizado mostra quando cada conteúdo será publicado, mas isso, sozinho, ainda não constitui uma estratégia. Antes de preencher datas e canais, é necessário decidir quais histórias realmente merecem ser produzidas.
Essa diferença parece pequena, mas muda bastante coisa.
A estratégia deixa de começar no calendário e passa a começar naquilo que a marca quer construir na cabeça das pessoas.
No fim, talvez essa seja a principal mudança de perspectiva.
Uma pessoa pode conhecer sua empresa no Instagram e decidir procurar seu nome no Google. Outra pode chegar por um artigo. Alguém pode receber uma indicação e visitar diretamente seu site. Um cliente pode encaminhar um conteúdo pelo WhatsApp. Depois, essa mesma pessoa pode voltar ao Instagram para acompanhar a marca.
São caminhos diferentes formando uma única percepção.
Por isso, uma estratégia de conteúdo precisa ir além do planejamento de publicações, considerando o que a marca deseja construir na percepção das pessoas e como cada canal pode contribuir para essa construção.
O Instagram pode ter um papel importante nessa resposta.
Só não precisa carregar sozinho toda a presença digital da sua marca.
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